Experiências Didáticas

O desenvolvimento de estratégias pedagógicas mais inclusivas e equitativas tem se mostrado potente para engajar crianças, adolescentes e jovens em atividades que ressignifiquem suas trajetórias escolares. Pensando nisso, o UNICEF, em parceria com diversas organizações, construiu uma série de atividades didáticas que podem ser adaptadas para contemplar os diferentes grupos educacionais do país e ajudar estudantes e professores a romperem o fracasso escolar.

As Experiências Didáticas estão no bojo dessas ações e se apresentam como um percurso que busca romper a organização linear dos conteúdos escolares e considera a integração de diferentes componentes curriculares para que os atores envolvidos possam contemplar as especificidades de seus territórios e a diversidade de suas comunidades.

As Experiências Didáticas têm uma intencionalidade específica que se articula aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), porém podem ser adaptadas conforme necessidade. Desta forma, elas são contextualizáveis e funcionam como itinerários que guardam possibilidades de inspiração para colocar em movimento o trabalho educacional de cada grupo escolar, respeitando suas individualidades e dando diferentes oportunidades às crianças, adolescentes e jovens, de aprender e construir novos caminhos em seus estudos.

Abaixo, disponibilizamos a matriz que contém as orientações para a elaboração das Experiências Didáticas.

Infográfico

O infográfico abaixo apresenta as premissas e os eixos que devem ser considerados na construção de uma Experiência Didática. O principal objetivo é construir percursos de aprendizagens que colaborem para o enfrentamento da cultura de fracasso na medida em que propõe atividades adaptáveis – que tenham uma intencionalidade pedagógica; considerem o contexto dos(as) estudantes; seus territórios; uma escuta ativa; a mobilização das(os) estudantes; a construção coletiva – e que sejam inclusivas.

  • A partir da escuta dos(as) estudantes e da situação desencadeadora, a Experiência Didática deve indicar propostas pedagógicas para o engajamento inicial dos estudantes. As ações devem garantir que meninas e meninos tenham ampla compreensão da proposta e possam decidir ser parte do processo, de forma autônoma e voluntária.
  • É importante que no processo de mobilização as Experiências Didáticas apresentem roteiros e instrumentais para a avaliação inicial das competências e habilidades que se planeja fortalecer com o processo. É recomendado que a avaliação seja partilhada com os(as) estudantes com transparência sobre a intencionalidade pedagógica, para que todos(as) possam expressar suas competências e habilidades.
  • Na mobilização, também devem ser desenvolvidas propostas e orientações que permitam ao grupo decidir sobre a gestão do processo.
  • Após as etapas de problematização e investigação é hora de desenhar e implementar a proposta feita pelo grupo. À medida que o trabalho se desenvolve, estudantes e professores(as) conjuntamente vão encontrando soluções para os desafios que se apresentam.
  • Agora é o momento de pensar nas produções. Deve-se garantir que elas façam sentido com o percurso desenvolvido até aqui, e, para isso, é fundamental que se resgatem os registros e as reflexões realizadas.
  • As produções podem ser definidas de diferentes formas. Podem se concretizar num experimento, na produção de materiais escritos/ilustrados como livros, histórias em quadrinhos, texto orientador; em documentário, jogo, ou ainda em outros formatos. É essencial que elas reflitam o processo trilhado pelos grupos.
  • As produções podem ser feitas de forma interdisciplinar, disciplinar ou integrada, dependendo do tema e do produto a ser desenvolvido. De acordo com a escolha, é preciso realizar um planejamento integrado entre professores(as) especialistas e os diferentes componentes curriculares, elaborando, a partir de intencionalidades, os caminhos a serem percorridos.
  • Esse é o momento de comunicar sobre os projetos desenvolvidos. Essa comunicação pode ser realizada de diversas formas e deve ser construída junto com os(as) estudantes, considerando suas ideias e propostas.
  • É importante que os(as) estudantes tenham autonomia para pensar em diferentes estratégias de comunicação, na perspectiva de explorar múltiplas linguagens e múltiplos letramentos.
  • Utilizar estratégias variadas e permitir diferentes formas de expressão intensifica e amplia as discussões, gerando sentido e pertencimento do grupo.
  • O compartilhamento pode ser uma roda de conversa, uma feira de exposição, uma mostra de vídeos, uma festa, ou outra atividade que os(as) estudantes achem interessante.
  • A sustentabilidade da Experiência Didática acontece a partir do que se quer manter e desenvolver. Dessa forma, pensar nos desdobramentos dos projetos e propostas que foram construídos é uma maneira de dar continuidade ao processo de mobilização.
  • Nesse momento é importante reforçar as habilidades que foram mobilizadas e desenvolvidas, a fim de transpor a experiência para outros projetos. Nesse sentido, se torna possível entender e integrar as aprendizagens, permitindo que os(as) estudantes estendam as aprendizagens construídas para outros contextos, sustentando assim, novas práticas.
  • É importante ter em vista uma análise das reais aprendizagens construídas e das necessidades a serem superadas pelos(as) estudantes, para que se avance nas aprendizagens e na sustentabilidade das experiências.
  • A avaliação tem um papel importante e deve ser articulada ao processo, não podendo se resumir a uma lista de conceitos ou habilidades expressas nas propostas. Ela deve ser capaz de explicitar os usos que os(as) estudantes expressam sobre os componentes curriculares relacionados às competências gerais e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
  • Na exploração dos recursos da escola e do território, o grupo deve aprofundar o que foi coletado, observado, produzido e problematizado. Nesse momento, é importante garantir práticas pedagógicas que explorem a oralidade, a leitura e a produção de textos em diferentes linguagens e semioses, em distintas mídias e suportes, e que contemplem a diversidade cultural de cada turma.
  • A integração de questões do território aproxima os(as) estudantes de seu lugar e permite que possam fortalecer a comunidade como um espaço de troca e de construção coletiva. Desse modo, abrem-se múltiplas possibilidades de investigação, de pesquisas e incursões pelo território para aprofundar conhecimentos.
  • É necessário fornecer ferramentas diversificadas de registro e sistematização da coleta de informações que possam se adequar ao contexto da investigação dos(as) estudantes e que engajem todos(as), sem exceção.
  • As atividades devem proporcionar às meninas e aos meninos experimentar diferentes papéis, inclusive o de liderança, reforçando a perspectiva de que são parte de uma ação coletiva dentro de uma escola que, por sua vez, está dentro de um território.
    • Por meio da problematização é possível explorar os conhecimentos prévios dos(as) estudantes sobre a situação desencadeadora, a fim de planejar e definir quais competências e habilidades poderão ser trabalhadas a partir da temática da Experiência Didática, delineando quais componentes curriculares podem compor essa construção. Ou seja, para cada Experiência Didática devem ser desenvolvidas propostas de exploração do tema disparador a partir de competências, habilidades e componentes curriculares.
    • É importante que as atividades de investigação/exploração sejam apresentadas de forma a permitir que os(as) estudantes compreendam a intencionalidade pedagógica das propostas sugeridas e possam reinventá-las. A liderança/autonomia dos(as) participantes deve ser incentivada especialmente no planejamento da investigação.
    • A problematização também deve estimular a autoria das crianças e adolescentes indicando formas de realizarem pesquisas, fazerem consultas entre pares e entre grupos, ampliando, assim, a mobilização para além da configuração original da turma e do espaço escolar.

    Pesquisa por experiência didática

    As Experiências Didáticas podem ser buscadas por tema, segmento, competências da BNCC ou pelos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Cada uma delas traz um material em PDF e um material em Word, para ser adaptado conforme necessidade.

    Mobilização

    Mobilização

    • A partir da escuta dos(as) estudantes e da situação desencadeadora, a Experiência Didática deve indicar propostas pedagógicas para o engajamento inicial dos estudantes. As ações devem garantir que meninas e meninos tenham ampla compreensão da proposta e possam decidir ser parte do processo, de forma autônoma e voluntária.
    • É importante que no processo de mobilização as Experiências Didáticas apresentem roteiros e instrumentais para a avaliação inicial das competências e habilidades que se planeja fortalecer com o processo. É recomendado que a avaliação seja partilhada com os(as) estudantes com transparência sobre a intencionalidade pedagógica, para que todos(as) possam expressar suas competências e habilidades.
    • Na mobilização, também devem ser desenvolvidas propostas e orientações que permitam ao grupo decidir sobre a gestão do processo.
    Desenho, implementação e alcance de resultados

    Desenho, implementação
    e alcance de resultados

    • Após as etapas de problematização e investigação é hora de desenhar e implementar a proposta feita pelo grupo. À medida que o trabalho se desenvolve, estudantes e professores(as) conjuntamente vão encontrando soluções para os desafios que se apresentam.
    • Agora é o momento de pensar nas produções. Deve-se garantir que elas façam sentido com o percurso desenvolvido até aqui, e, para isso, é fundamental que se resgatem os registros e as reflexões realizadas.
    • As produções podem ser definidas de diferentes formas. Podem se concretizar num experimento, na produção de materiais escritos/ilustrados como livros, histórias em quadrinhos, texto orientador; em documentário, jogo, ou ainda em outros formatos. É essencial que elas reflitam o processo trilhado pelos grupos.
    • As produções podem ser feitas de forma interdisciplinar, disciplinar ou integrada, dependendo do tema e do produto a ser desenvolvido. De acordo com a escolha, é preciso realizar um planejamento integrado entre professores(as) especialistas e os diferentes componentes curriculares, elaborando, a partir de intencionalidades, os caminhos a serem percorridos.
    Problematização 
e Planejamento

    Problematização
    e Planejamento

    • Por meio da problematização é possível explorar os conhecimentos prévios dos(as) estudantes sobre a situação desencadeadora, a fim de planejar e definir quais competências e habilidades poderão ser trabalhadas a partir da temática da Experiência Didática, delineando quais componentes curriculares podem compor essa construção. Ou seja, para cada Experiência Didática devem ser desenvolvidas propostas de exploração do tema disparador a partir de competências, habilidades e componentes curriculares.
    • É importante que as atividades de investigação/exploração sejam apresentadas de forma a permitir que os(as) estudantes compreendam a intencionalidade pedagógica das propostas sugeridas e possam reinventá-las. A liderança/autonomia dos(as) participantes deve ser incentivada especialmente no planejamento da investigação.
    • A problematização também deve estimular a autoria das crianças e adolescentes indicando formas de realizarem pesquisas, fazerem consultas entre pares e entre grupos, ampliando, assim, a mobilização para além da configuração original da turma e do espaço escolar.
    Premissas

    Intencionalidade da proposta

    • Contemplar as competências gerais da Base Nacional Comum Curricular (BNCC);
    • Estabelecer vínculo temático e mobilizador dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS);
    • Oportunizar propostas pedagógicas integradas e/ou interdisciplinares;
    • Ampliar o desenvolvimento de competências relacionadas à leitura, escrita e oralidade;
    • Contemplar diferentes critérios e instrumentos para avaliação (formativa e processual);
    Premissas

    Contextualização

    • Ser adaptável aos diferentes contextos e realidades dos estudantes;
    • Integrar questões referentes ao território, à comunidade escolar e às famílias;
    • Indicar possibilidades de articulação com redes intersetoriais no território;
    Premissas

    Escuta, engajamento
    e participação dos estudantes

    • Partir de uma situação desencadeadora;
    • Garantir a escuta, o engajamento e a participação de crianças e adolescentes;
    • Garantir a autonomia, autoria e criação colaborativa dos estudantes, a partir da realidade de cada escola.
    Premissas

    Acessibilidade e inclusão

    • Abordar os temas de forma inclusiva e participativa;
    • Elaborar representações gráficas em diferentes linguagens para garantir acessibilidade informacional e comunicacional para os estudantes;
    • Utilizar diferentes linguagens, meios, modos e formatos, tendo como base os princípios do Desenho Universal para Aprendizagem.
    Compartilhamento de ações e resultados

    Compartilhamento de ações e resultados

    • Esse é o momento de comunicar sobre os projetos desenvolvidos. Essa comunicação pode ser realizada de diversas formas e deve ser construída junto com os(as) estudantes, considerando suas ideias e propostas.
    • É importante que os(as) estudantes tenham autonomia para pensar em diferentes estratégias de comunicação, na perspectiva de explorar múltiplas linguagens e múltiplos letramentos.
    • Utilizar estratégias variadas e permitir diferentes formas de expressão intensifica e amplia as discussões, gerando sentido e pertencimento do grupo.
    • O compartilhamento pode ser uma roda de conversa, uma feira de exposição, uma mostra de vídeos, uma festa, ou outra atividade que os(as) estudantes achem interessante.
    Exploração dos recursos da escola 
e do território

    Exploração dos
    recursos da escola
    e do território

    • Na exploração dos recursos da escola e do território, o grupo deve aprofundar o que foi coletado, observado, produzido e problematizado. Nesse momento, é importante garantir práticas pedagógicas que explorem a oralidade, a leitura e a produção de textos em diferentes linguagens e semioses, em distintas mídias e suportes, e que contemplem a diversidade cultural de cada turma.
    • A integração de questões do território aproxima os(as) estudantes de seu lugar e permite que possam fortalecer a comunidade como um espaço de troca e de construção coletiva. Desse modo, abrem-se múltiplas possibilidades de investigação, de pesquisas e incursões pelo território para aprofundar conhecimentos.
    • É necessário fornecer ferramentas diversificadas de registro e sistematização da coleta de informações que possam se adequar ao contexto da investigação dos(as) estudantes e que engajem todos(as), sem exceção.
    • As atividades devem proporcionar às meninas e aos meninos experimentar diferentes papéis, inclusive o de liderança, reforçando a perspectiva de que são parte de uma ação coletiva dentro de uma escola que, por sua vez, está dentro de um território.
    Sustentabilidade

    Sustentabilidade

    • A sustentabilidade da Experiência Didática acontece a partir do que se quer manter e desenvolver. Dessa forma, pensar nos desdobramentos dos projetos e propostas que foram construídos é uma maneira de dar continuidade ao processo de mobilização.
    • Nesse momento é importante reforçar as habilidades que foram mobilizadas e desenvolvidas, a fim de transpor a experiência para outros projetos. Nesse sentido, se torna possível entender e integrar as aprendizagens, permitindo que os(as) estudantes estendam as aprendizagens construídas para outros contextos, sustentando assim, novas práticas.
    • É importante ter em vista uma análise das reais aprendizagens construídas e das necessidades a serem superadas pelos(as) estudantes, para que se avance nas aprendizagens e na sustentabilidade das experiências.
    • A avaliação tem um papel importante e deve ser articulada ao processo, não podendo se resumir a uma lista de conceitos ou habilidades expressas nas propostas. Ela deve ser capaz de explicitar os usos que os(as) estudantes expressam sobre os componentes curriculares relacionados às competências gerais e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.